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| HISTORIAL DA FREGUESIA DE PALMELA |
ORIGEM
A origem remota da freguesia de Palmela é a mesma do concelho
de Palmela. Situa-se muito antes da fundação de
Portugal, mas desconhece-se até hoje a totalidade desse
processo histórico. Se falarmos da Palmela portuguesa,
então a freguesia nasceu em Março de 1185, o mesmo
ano em que foi dado o primeiro foral a Palmela por D.Afonso Henriques.
Por vezes atribui-se, sem fundamento, a raiz do nome Palmela à
do Pretor romano Cornélio Palma, que supostamente a teria
erguido ou refundado no ano de 106 A.C. Por outro lado, existem
referências feitas pelos árabes à praça
forte de «Balmalla», que poderá ter conduzido
a Palmela.
Os mais antigos vestígios encontrados remontam ao Paleolítico
Médio (Quinta da Cerca) na Vila de Palmela, e ao longo
da Serra do Louro. As presenças visigótica, romana
e muçulmana encontram-se representadas através de
achados arqueológicos resultantes de escavações
realizadas no interior do Castelo de Palmela. Neste monumento
nacional, podem observar-se estruturas e peças de uso quotidiano
de todas as fases da presença islâmica, e que permitem
datar a sua presença desde o século VIII. |
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Vista da Vila da Palmela |

Pátio interior do Castelo de Palmela |
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ELEMENTOS
DE EVOLUÇÃO HISTÓRICA (Séc. XII-XX)
Em 1147, D.Afonso Henriques toma posse do Castelo e em 1165 reconquista
Palmela. No ano de 1170 dá foral aos mouros forros de Palmela
e, em 1172, reedifica o Castelo e funda um Convento que oferece
à Ordem de Santiago de Espada. De Março de 1185,
data o primeiro foral de Palmela, concedido por D. Afonso Henriques.
Em 1186, D.Sancho faz a doação de Palmela à
Ordem de Santiago de Espada. A invasão almoada de 1191
provoca a perda de Palmela, arrasando-a. D.Sancho I reedifica,
em 1205, todas as obras de defesa e guarnece o Castelo. Cinco
anos depois, a Ordem de Santiago de Espada volta ao Castelo de
Palmela e aqui reside o capítulo da Ordem. Em 1217-1218.
D.Afonso II confirma, em Santarém, os forais de 1170 e
1185. Entre 1239 e 1423, o Mestrado da Ordem de Santiago de Espada
passa para Mértola.
Em 1384, D.Nuno Álvares Pereira regressa vitorioso do Alentejo,
passa por Palmela, onde comunica do alto do Castelo, por meio
de grandes fogos, com o Mestre de Avis, futuro D.João I,
cercado pelos castelhanos, em Lisboa, avisando-o da sua proximidade
e ajuda. Em 1423. D.João I manda que o Convento Mestral
e a cabeça da Ordem de Santiago de Espada seja novamente
no Castelo de Palmela e determina por Carta Régia de 5
de Maio, que a cabeça da Ordem fique definitivamente em
Palmela. No dia 1 de Junho de 1512, D.Manuel I concede foral novo
a Palmela.
Em Outubro de 1855, com a extinção do concelho,
a freguesia de Palmela é incorporada no concelho de Setúbal,
mas em Novembro de 1926 com a restauração do concelho
de Palmela volta-se à situação anterior. |
PATRIMÓNIO HISTÓRICO EDIFICADO
O altaneiro Castelo de Palmela, miradouro deslumbrante, ocupa
o maior destaque.Conjunto fortificado, classificado como o monumento
nacional por Decreto-Lei de 16 de Junho de 1910-em conjunto com
a Igreja de Santiago -, apresenta uma grande diversidade de intervenções:
reparações, reconstruções, ampliações.
A arqueologia tem vindo a identificar alguns troços de
muralha da época islâmica e reconhecem-se outras
fases construtivas que deverão datar do período
subsequente à Reconquista e, posteriormente, do reinado
de D.João I. Aqui teve sede a Ordem Militar de Santiago
de Espada.
A Igreja de Santa Maria do Castelo, templo fundado
no séc XII, foi a primeira igreja paroquial de Palmela.Situada
no interior do Castelo, encontra-se em ruínas desde o terramoto
de 1755. |
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Vista geral do Castelo de Palmela |

Nave central da Igreja de Santiago |
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A
Igreja de Santiago, localizada dentro da cerca primitiva do Castelo,
constitui um notável templo da segunda metade do século
XV ( 1443-1470). Edifício de grande monumentalidade geometrizante,
insere-se, pelo seu despojamento formal, na última fase
do tardo-gótico. O seu interior apresenta três naves,
bem como os vestígios de decoração azulejar
dos séculos XVII e XVIII. Sob um arco sólido manuelino,
encontra-se a arca tumular de D.Jorge, o último grão–mestre
da Ordem de Santiago de Espada.
Na casa que se prolonga à Igreja, ainda no espaço
do Castelo, residiram os primores de Santiago, quase todos provedores
da Santa Casa da Misericórdia de Palmela.
Nessa mesma casa nasceu em 1841 Hermenegildo Brito Capelo, célebre
explorador do sertão africano.
O Convento de Santiago, edifício dos finais dos séculos
XVII-XVIII, encontra-se junto à Igreja de Santiago. Foi
recuperado nos anos setenta do século XX para ser utilizado
como Pousada. |
A Igreja de S.Pedro (igreja matriz da vila), situada junto aos
Paços do Concelho, tem fundação remota (existem
referência documentais de 1320). O actual edifício
data da segunda metade do século XVI. Vasto templo de arquitectura
maneirista, tem três naves, é revestido interiormente
por painéis de azulejos barrocos datados da década
de 1740, representando cenas apostólicas da vida do orago
da Freguesia (S.Pedro). A fachada principal foi destruída
pelo terramoto de 1755, prolongando-se a reconstrução
até finais do séc.XVIII. Na sacristia existe uma
escultura de Santiago Peregrino, do século XVI, e nas capelas
laterais e capela-mor está um conjunto de telas dos séculos
XVIII.
A Igreja da Misericórdia, localizada no Largo Duque de
Palmela foi erguida no local da antiga Ermida do Espírito
Santo durante o século XVI. Templo de uma só nave,
tem um tecto de madeira de três planos, paredes revestidas
a azulejos seiscentistas e altar-mor de talha joanina. Anexo à
Igreja situa-se o edifício do antigo Hospital da Misericórdia
(século XVII), com raízes numa antiga albergaria
de finais do século XV. |
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Igreja de S. Pedro |

Igreja de S. João Baptista |
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A
Igreja de São João Batista, edifício do século
XVII, tem uma nave com notável labrim de azulejo. Está
classificada como monumento de valor concelhio pelo Decreto-Lei
de 31 de Dezembro de 1997.
A Capela da Escudeira está localizada na vertente a norte
da serra de São Luis (Vale dos Barris), invocando Nossa
Senhora da Conceição. Data a sua fundação
de meados do século XVIII. Relacionada com este culto,
mantém-se a romaria anual de Nossa Senhora da Conceição
da Escudeira, que tem lugar no fim-de-semana mais próximo
de 15 de Agosto. |
Os
Paços do Concelho é um edifício do século
XVII, com o andar superior do século XVIII. O salão
nobre apresenta na decoração das paredes os retratos
dos monarcas portugueses até D.Manuel I.
O pelourinho, datado com a reconstrução de 1645,
localiza-se no Largo Duque de Palmela. Está classificado
como monumento nacional pelo Decreto-Lei de 16 de Junho de 1910.
O chafariz de D.Maria I, do século XVIII, ostenta as antigas
armas da Vila de Palmela e duas belas carrancas no remate da água.
O primeiro chafariz aqui existentes teria data de 1549, construído
por ordem de D.Jorge, mestre da Ordem de Santiago de Espada. Restaurado
e remodelado no reinado de D.Maria I, conforme consta da inscrição
do frontão a data de 1792. |
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Paços do Concelho / Câmara Municipal de Palmela |

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